quarta-feira, 28 de junho de 2017

Conheça histórias de funcionários antigos do Cine Teatro Apollo

Operador de filmagem Heleno Barbosa de Lima em outubro de 1985.
Foto: Arquivo/ Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho.

 Armando Filho, um dos antigos funcionários do Cine Teatro Apollo.

Heleno Barbosa de Lima trabalhou como operador de filmagem
 no Cine Teatro Apollo a partir da década de 60.

Marquinhos Cabral, atual administrador do Cine Teatro Apollo.
Fotos: Paula Cavalcante/G1.

Publicado originalmente no site G1 Caruaru, em 06/12/2014.

Conheça histórias de funcionários antigos do Cine Teatro Apollo.

Espaço é o mais antigo do interior de PE e celebra centenário neste sábado.
Um dos funcionários buscava os filmes e ingressos na capital do estado.

Por Paula Cavalcante.
Do G1 Caruaru, em Palmares.

"Se tinha algo errado nas exibições, sobrava pra mim" (risos). A fala é do aposentado Heleno Barbosa de Lima, 82 anos, que trabalhava como operador de filmagem no Cine Teatro Apollo. Ele começou os serviços no estabelecimento na década de 1960 e diz que, quando tinha algum problema, as pessoas o xingavam. "Me chamavam de juiz de futebol", brinca. Heleno conta que as máquinas antigas eram fáceis de manusear, embora exigessem bastante atenção. "Tinha a prática de trabalhar, né?"

O idoso lembra-se ainda dos filmes mais procurados da época. "Havia o de Tarzan, que eu gostava demais. Faroeste. Tinha os seriados que passavam sexta e sábado. Cada um vinha com 15 capítulos, cada semana passavam dois. Passava o filme e depois os seriados. Tinha uns filmes muito bons que passava muito, como 'O Gordo e o Magro'. Tinha os espetáculos de teatro também", recorda. Mesmo passando muito tempo no Cine Teatro, o antigo operador de filmagem diz que não dava para assistir aos filmes por completo, por conta da função que exercia.

Segundo ele, no início da década de 1980 os proprietários do estabelecimento quiseram vender o imóvel. "Os donos chegaram a encontrar comprador, para fazer do cinema um supermercado. Aí Portela, o prefeito da época, disse: 'Não, para derrubar o Apollo não'. Ele pediu um tempo para se organizar e comprou. Comprou e ficou para o município. E transformou em Casa de Cultura". Para a atual geração, ele deixa uma mensagem: "Que não deixe cair, continue. Aquilo ali é a história de Palmares".

Outro antigo funcionário conhecido na cidade é o aposentado Sirleno Pereira Ramos, 77 anos. Por telefone, ele contou ao G1 que começou a trabalhar em 1952, aos 15 anos, vendendo confeitos dentro do Cine Teatro Apollo. "Depois, passei para os serviços gerais. Saí aos 18 anos para servir ao Exército e voltei após 14 meses. Também trabalhei na bilheteria, como porteiro, e até como operador de filmagem. Ali, foi a segunda casa. Tempo bom. Vivia mais lá do que com a família".

Sirleno também buscava os rolos de filme em um tipo de locadora no Recife. "Eu levava o filme da semana e ia buscar um novo. Ia de ônibus e carregava na cabeça mesmo. Dependendo do filme, pesava de 50kg a 60kg. Na capital, eu pegava um táxi e ia até o lugar", destaca. Além das duas horas ou três horas de projeção, o antigo funcionário também era quem pegava o carvão vegetal para a máquina de projeção e o talão com mil ingressos.

Mensageiro.

Armando Filho, 46 anos, começou a trabalhar desde os 18 anos como mensageiro do Cine Teatro Apollo, em 1986. Ele entregava convites, cartazes e outros documentos relacionados ao espaço, e também exerceu a função de bilheteiro. "O trabalho era de quinta à terça-feira à noite. Na quarta-feira, a gente fechava e Sirleno ia buscar os materiais no Recife". Segundo Armando, um momento que marcou foi a exibição do filme "Dio, Come Ti Amo", dirigido por Miguel Iglesias. "Tinha muita gente para entrar e só eu como bilheteiro para atender ao pessoal tudinho, né? Para vender o ingresso e despachar, passar troco".

Atualmente, ele trabalha na Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho e cuida do arcevo do histórico do município. De acordo com Armando, muitos registros do Cine Teatro Apollo se perderam com as enchentes de 2000, 2010 e 2011. Ainda assim, é possível encontrar na fundação as fitas VHS que eram exibidas na década de 1990 e uma das máquinas de projeção, além de fotografias e documentos arquivados.

Atual administrador, Marquinhos Cabral conta um pouco sobre como é serviço atualmente lá. "Eu trabalho tomando conta do teatro. Faço toda a manutenção, cuido da parte técnica. Entrei em abril de 2013 para manuntenção e fiquei aqui por dois motivos: pela importância que ele tem para mim e para a minha cidade. E, depois, porque eu realmente sou apaixonado por tudo isso". Realizado pelo trabalho, resume o significado do teatro em uma simples frase: "o Teatro Cine Apollo é não somente o centro da Cultura, mas o templo em si".

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com/pe

terça-feira, 27 de junho de 2017

Do teatro ao Cinemaxs, o cinema conquistou a cidade


Do teatro ao Cinemaxs, o cinema conquistou a cidade

Por Metrópole Revista em Radar Cultural

A magia da tela grande com suas fantasias envolventes, de belas trilhas e intepretações inesquecíveis estão no cinema. A sétima arte, que nos tempos atuais pode ser vista em vários formatos, ainda não encontrou modo mais sublime para arrebatar pessoas senão contando histórias em salas de projeções. Campo Mourão é uma das poucas cidades do seu porte – menos de 100 mil habitantes – onde essa nobre arte é exibida todos os dias, em duas sessões.

A única sala disponível é resultado da iniciativa de um ex-dono de cinema em Cianorte, Hélio Carbol da Graça, que, convidado para fazer sessões às segundas-feiras no Teatro Municipal, acabou encontrando parcerias e amizades que o fizeram mudar definitivamente para Campo Mourão. “Eu conheci o pessoal daqui quando era secretário de Cultura de Cianorte porque tinha um cinema por lá. A pedido da direção do Teatro na época e da Secretaria de Cultura de Campo Mourão, topei o desafio de vir exibir filmes uma vez por semana. O objetivo era provar que a cidade comportava um cinema. E deu certo: ficamos assim por quatro anos, sempre com sessões lotadas de até 500 pessoas”, conta Hélio.

Apesar da insistência de alguns amigos para efetivar o negócio na cidade, o empreendimento só se tornou realidade com apoio do empresário Geraldo dos Santos, que vendia em sua panificadora os ingressos para as sessões do Teatro. Ele adequou um prédio para Hélio, que inaugurou o Cinemaxs em julho de 2004, quase 15 anos depois que o último cinema da cidade – Cine Plaza – fechou, no início da década de 1990.

“Em 2005 mudei com a família e hoje todos trabalhamos na Casa. Um dos fatores que pesou na decisão de estar em Campo Mourão foi a acolhida recebida desde a época do Teatro.” Segundo o dono do Cinemaxs, o público não perdeu o hábito de ir ao cinema desde a época que a opção era o  Teatro, e a cada sessão pelo menos 70 pessoas estão na sala. “Predomina o público jovem, que gosta do cinema como lazer, mas temos muitos casais mais velhos, que não falham uma semana, não importa o gênero exibido. O público de Campo Mourão é tranquilo e educado, mesmo as crianças, alunos de escolas são comportados. Acho que o fato de termos um Teatro na cidade e o acesso fácil aos produtos culturais educou as pessoas para as sessões de cinema”, justifica.

Os filmes que chegam a Campo Mourão vêm de várias distribuidoras e chegam logo após o lançamento, mas a cidade já teve sessões com dias de lançamentos mundiais. “Ficamos no segundo escalão, negociando, tentando trazer o melhor, quando conseguimos antecipamos as estréias”, diz.  Segundo Hélio, o público é fiel e está sempre presente, mas filmes como “Homem Aranha”, “A Era do Gelo”, “Crepúsculo” e lançamentos mundiais acabam sempre chamando mais a atenção, especialmente dos adolescentes e crianças que são o maior chamariz para as sessões e trazem com eles pais, mães, tios, avós e outros amigos. “As sessões com desenhos são atualmente as mais cheias, estão virando programa de família, o público está voltando ao cinema. Há um casal de Peabiru que semanalmente está aqui, independente do que estiver sendo exibido”, complementa.

O cinema mantém projetos sociais para grupos de escolas e instituições, com sessões fechadas em horários alternativos e ingressos subsidiados.  “Ainda conseguimos fazer os ingressos mais baratos que os grandes centros, sendo a pipoca o carro chefe, que mantém parte da magia das sessões”, se diverte Hélio.

O dono do cinema lembra que a cidade não comporta outra sala e que, pelas estatísticas das distribuidoras, atualmente são apenas 2.500 as salas no país e poucas em cidades com menos de 200 mil habitantes, como é o caso de Campo Mourão. “Mas temos visto que, apesar das locadoras e da pirataria, o cinema não perdeu o glamour e a magia: quem gosta vem sempre”, afirma.

O empresário, que esteve por 12 anos com sala em Cianorte e está há sete em Campo Mourão, diz que o cinema tem mesmo muita magia e que já viu o público participar das histórias da tela enquanto fazia projeções. Como quando em pleno filme “Pânico”, uma pessoa levantou no meio da sessão com máscara, um fecho de luz e uma espada, espantando os outros; ou na exibição do filme “Titanic” em um dia de chuva, quando entupiu a calha do prédio, a água escorreu pela parede e uma criança preocupada fez questão de avisar que a água do navio estava molhando o cinema.

O equipamento do Cinemaxs, um projetor de 35 milímetros, apesar de ser igual a 90% dos que estão nas salas nacionais, em breve deverá ser trocado por um digital, possivelmente em 2012.  E seguindo a modernidade, ao contrário de outros tempos, quando o carro de som anunciava as sessões, o público hoje pode saber o que vai passar pelo Facebook e na Home Page da empresa: www.cinemaxs.com.br.

“Estamos nas redes sociais. Nosso Facebook tem muitos acessos e na Home Page as pessoas mandam e-mail, votam o que querem ver e estão interagindo, ajudando na melhorias dos serviços. Já a meia entrada beneficia estudantes e outras instituições, incluindo doadores de sangue. Queremos todos no cinema”, conclui Hélio.

Texto e imagem reproduzidos do site: metropolerevista.com.br

Cinema de rua mais antigo do Brasil, o Olympia de Belém




Publicado originalmente no site Agência Belém, em 22/04/2016.

Olympia chega aos 104 anos preservando a história e promovendo diversão e cultura.

Da Redação - Agência Belém de Notícias 

Cinema de rua mais antigo do Brasil, o Olympia é mantido em funcionamento pela Prefeitura com sessões fixas e gratuitas.

Cinema mais antigo ainda em funcionamento no Brasil, o Olympia completa 104 anos neste domingo, 24. Além da história, o Olympia tem uma importância social e cultural fundamental para Belém. Garantir a preservação histórica e promover diversão e cultura se constituem nas atividades no cinema. O espaço é de responsabilidade da Prefeitura de Belém e tem programação fixa e gratuita.

Em 2005, com o fechamento de diversos cinemas de rua no Brasil, o grupo Severiano Ribeiro, dono do Olympia, anunciou que o espaço fecharia as portas. Na época, um grupo de jornalistas, artistas e críticos de cinema se mobilizaram contra. No grupo estava Dedé Mesquita, jornalista e crítica de cinema. Ela conta que “para quem gosta de cinema, a gente sabia que era uma ameaça, pois a maioria dos cinemas estava virando lojas. Organizamos um protesto e fomos para lá arrumados com vestidos longos, joias, como se fosse uma sessão do início do cinema”.

No meio da sessão, as luzes acenderam e uma equipe da Prefeitura entrou na sala anunciando que iria ficar responsável pelo espaço. A mobilização não foi apenas contra o fechamento do cinema, mas pela importância que o Olympia tem na história e na cultura. “Ali perto era um pondo importante da cultura de Belém. Tinha o Grande Hotel, o Theatro da Paz e o Olympia. É a memória da cidade que está ali”, destaca Dedé Mesquita. “É um patrimônio da cidade e que precisa ser mantido, pois em outras cidades não tem”, ressalta a crítica de cinema.

Quem acha que o espaço é apenas um memorial fechado, se engana. A programação do cinema é fixa e exibe filmes alternativos, fora do circuito comercial. Ana Oliveira faz um curso técnico em uma escola próxima ao Olympia desde 2013. “Eu pensava que não funcionava. Um dia passei por aqui e vi que estavam exibindo uns filmes e resolvi assistir para passar o tempo. Desde então não parei mais!”, conta a estudante, que há três anos frequenta o espaço semanalmente. “O Olympia tem uma programação que a gente só encontra aqui. Já procurei na internet alguns filmes que assisti, mas não achei”, diz Ana Oliveira.

O Olympia virou espaço público e a magia da sala de exibição não acabou. Luiz Miranda trabalha na sala de projeção do Olympia desde que o espaço é da Prefeitura. Ele começou a trabalhar com projeção ainda na década de 90, nos extintos cinemas de rua de Belém. “As experiências que mais marcaram a minha vida aqui dentro foi no centenário, quando todo mundo aplaudiu de pé no fim da sessão e quando as crianças de uma escola vieram aqui e também aplaudiram no fim da sessão. Elas nunca tinham ido a um cinema”, conta o operador.

Para levar a comunidade ao Olympia, a Prefeitura de Belém desenvolve projetos específicos para cada público. Um deles é o “Escola Vai ao Cinema”, que leva os estudantes da rede municipal de ensino para a sala de exibição. Só no ano passado, cerca de 7 mil crianças passaram pelo espaço. “É com ‘Escola Vai ao Cinema’ que a gente trabalha o público infantil, já pensando no cinema Olympia do futuro”, explica a gerente do cinema, Nazaré Moraes. Com esse projeto, os estudantes conhecem a história do cinema e têm aulas didáticas a partir da exibição de filmes.

Além da programação fixa, o espaço é aberto a parcerias e projetos ligados à produção audiovisual. O “Universidade Vai ao Cinema”, por exemplo, é feito em parceria com as universidades públicas e particulares de Belém que desenvolvem festivais independentes de cinema. “A importância desses projetos é  abrir novas possibilidades ao público, pensando no audiovisual, na educação e na cultura”, destaca Nazaré Moraes.

O órgão ou entidade, pública ou privada que desejar fazer uma parceria com o Cinema Olympia pode enviar o seu projeto para o endereço eletrônico cinemaolympia1912@gmail.com. As sessões direcionadas para os projetos ocorrem sempre às terças e sextas-feiras, pela tarde, ou no sábado, também à tarde. Além da exibição em DVD ou blu-ray, o Olympia ainda possui a projeção 35mm feita com rolo de filmes. Ainda este ano o espaço deve adquirir um projetor digital.

Aniversário - A programação de aniversário de 104 anos do Cinema ocorrerá no domingo, 24, e inclui uma homenagem ao cinema brasileiro. Os pianistas paraenses Paulo José Campos de Melo, Leonardo Coelho e a cantora Dione Colares irão interpretar músicas de trilhas sonoras de filmes que marcaram a história do cinema no Brasil, como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Macunaíma”, “Dona Flor e seus Dois Maridos” e o paraense “Um Dia Qualquer”, do cineasta Líbero Luxardo. Após a homenagem musical, será exibido o filme “O Palhaço”...

Texto: Igor Pereira
Foto: Eliza Forte
Coordenadoria de Comunicação Social (COMUS).

Texto e imagens reproduzidos do site: agenciabelem.com.br

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Como funcionam os projetores de cinema


Projetor de Cinema antigo

Quem nunca ficou curioso para saber como funcionam os projetores de cinema ao olhar para a janela da sala de projeção enquanto esperava o filme começar? Pois é! Todos que costumam ir ao cinema, pelo menos uma vez na vida, já se perguntaram o que rola por trás daquele vidro!

Agora vamos conhecer os princípios básicos dos projetores cinematográficos e algumas curiosidades sobre as salas de projeção!

A função básica de um projetor de cinema é fazer com que a película do filme em 35mm seja projetada em uma tela, normalmente a uma velocidade de 24 frames por segundo. Para isso é necessário que ele contenha:

• Um sistema de bandejas, motores elétricos, rodas dentadas e cambers, que armazenam e movem a película na velocidade e posição correta;

• Uma fonte de luz, espelhos e um condensador, que irão iluminar a película;

• Um obturador e outro tipo de condensador (janela de abertura), que fará a luz incidir na película e passar pela lente no momento correto;

• Um sistema de leitura de áudio; e claro:

• Uma lente, que projetará a imagem em grande escala na tela do cinema.

Veja abaixo um esquema que mostra os componentes básicos de um projetor:

2 - Exemplo dos componentes básicos de um projetor

Continua não entendendo nada? Vamos começar a explicação pelas películas de cinema!
Como já falamos aqui no Pipoca de Pimenta, para obtermos a sensação de movimento, precisamos enxergar uma seqüência de imagens estáticas a uma velocidade mínima de 12 imagens por segundo. No cinema, essa velocidade é de 24 frames por segundo e na TV, normalmente é de 30 frames por segundo.

As películas de cinema são fitas que contém uma seqüência de frames, ou seja, imagens estáticas dispostas seqüencialmente, que serão reproduzidas de forma que a cada 1 segundo, 24 imagens sejam projetadas na tela. Ao lado dos frames fica a faixa de áudio, onde é gravado o som do filme, e nas bordas ficam os furos de tração, que se encaixam nos dentes de engrenagens, também chamados de rodas dentadas, os quais possibilitam o movimento da película pelo projetor.

3 - Filme de película de 35mm

Os filmes em película de 35mm tem um alto custo de produção pois cada segundo do filme corresponde a 45,7 centímetros da película. Sendo assim, em 1 minuto de filme, temos 27,5 metros de película, em 1 hora de filme teremos 1.650 metros, e num filme de 2 horas, teremos 3.300 metros! Juntando mais 20 minutos de propagandas, avisos e trailers, vamos ter 3.850 metros de película!

Devido ao tamanho dos longas-metragens, os distribuidores os dividem em rolos separados. Um filme de duas horas, por exemplo, será enrolado em 5 ou 6 rolos de até 600 metros cada.

4 - Rolo de filme em película de 35mm pequeno (até 600 metros por rolo)

Antigamente, os filmes eram exibidos utilizando dois projetores. Enquanto um projetor passava o primeiro rolo do filme, o segundo projetor ficava preparado para exibir o segundo.Enquanto o segundo rolo era exibido, o terceiro rolo era colocado no primeiro projetor e assim por diante. Cabia ao projecionista, nome dado ao profissional encarregado de projetar o filme, fazer a troca de projetores no momento correto. Se você costumava ir ao cinema antigamente você deve se lembrar do sinal que auxiliava o projecionista a fazer essa troca. Faltando apenas 11 segundos para o rolo acabar, um pequeno círculo aparece no canto superior direito da tela, e quando resta apenas 1 segundo de rolo, ele aparece novamente indicando o momento exato no qual o projecionista deve apertar o botão que desliga o primeiro projetor e que liga imediatamente o segundo.

Sendo assim, o projecionista podia então colocar o primeiro rolo em outra sala para exibir o mesmo filme, e conforme os rolos fossem acabando, ele os recolocava nos projetores das salas seguintes até que a última sala exibisse o rolo final.

Isso permitiu a construção de Cinemas Multiplex, um conjunto de salas num mesmo cinema. Hoje aqueles com 15 a 20 salas são chamados de Cinema Megaplex.

Nos cinemas atuais o sistema de exibição em rolos menores não é mais utilizado, já que as bandejas, discos onde ficam enroladas as películas, permitem exibir o filme todo em um único projetor.

5 - Projetor e bandejas na sala de projeção

Sendo assim o projecionista agora fica encarregado de montar o filme em uma única bandeja, ou seja, ele deve literalmente emendar os rolos das propagandas, avisos do cinema, trailers e os rolos do próprio filme para formar o rolo completo que será exibido de forma contínua. Para isso ele utiliza uma tesoura, um rolo de fita adesiva especial para películas cinematográficas e um aparelho (foto abaixo) que auxilia na montagem e no corte exato da fita adesiva nos furos de tração.

6 - Coladeira de película de 35mm

7 - Projecionista emendando a película de 35mm

Depois que a película está completa e montada na bandeja de entrada, o projecionista pode então colocar o filme na entrada do projetor e iniciar a sessão!

Para o projetor exibir o filme, a película precisa avançar um frame, parar por uma fração de segundo, e em seguida avançar para o próximo quadro. Antigamente, para fazer isso, o projetor continha uma alavanca, conhecida como garra, que ficava responsável por mover o filme utilizando os seus furos de tração. Hoje os projetores contêm rodas dentadas intermitentes, que giram o suficiente para puxar o filme um quadro, parar por um instante e rodar novamente, também utilizando os furos da película, mas de forma mais precisa e sem gastá-los excessivamente. Os cambers, pequenos rolamentos com molas, ficam responsáveis por esticar o filme auxiliando sua passagem pelas rodas dentadas.

8  - Película passando pelas rodas dentadas do projetor

Um dos elementos principais do projetor é sua fonte de luz. Antigamente eram usadas lâmpadas de arco voltaico de carvão, mas elas possuem uma vida útil muito curta. Atualmente as lâmpadas de gás xenônio são as mais usadas, têm uma vida útil de aproximadamente 6 mil horas e chegam a custar 5 mil reais cada! A lâmpada fica posicionada no centro do projetor, em um compartimento próprio, e envolta em um refletor parabólico de espelhos. Os espelhos refletem a luz direto para um condensador (conjunto de lentes), que intensifica e focaliza a luz na lente do projetor.

9 - Lâmpada de projetor cinematográfico

Após sair do compartimento da lâmpada, a luz concentrada se depara com o obturador do projetor. O obturador é um sistema que contém uma lâmina de metal que realiza um ciclo de 24 rotações por segundo. A lâmina bloqueia a luz e só permite que ela passe em certo momento de sua revolução. Esse bloqueio é sincronizado com o avanço da película, de forma que a luz só incide na mesma no momento exato em que cada frame está parado em sua posição correta. Sem o obturador o filme teria imagens tremidas e fantasmas pela tela, além do espectador perceber que a película está em movimento.

10  - Obturador impedindo a passagem da luz enquanto há a troca de frame pela garra

11  - Obturador permitindo a passagem da luz enquanto o frame está parado na Janela de Abertura

Depois de passar pelo obturador, antes de atingir o filme, a luz também se depara com outro tipo de condensador, também conhecido como Janela de Abertura. Este é uma espécie de moldura removível de metal que impede a luz de atingir certas partes da película, permitindo que o projetor ilumine apenas o frame do filme. Sem o condensador nós veríamos nas proximidades da tela as faixas de áudio e até mesmo os furos de tração da fita. Eles existem em diversos tamanhos e variam de acordo com as telas de cinema e o tipo de película utilizada no filme.

12 - Condensador ou Janela de Abertura sobre a película

A luz então passa pela película, que entra no projetor de cabeça para baixo, e em seguida passa pela lente, onde a imagem é invertida e ampliada. Na maioria dos projetores a lente é removível, possibilitando ao projecionista mudá-la de acordo com o formato do filme. As lentes mais comuns são a Plana e a CinemaScope. A maioria dos projetores mais novos tem um sistema de lentes integradas, o projecionista só precisa girar o disco que tem as lentes fixadas para trocar de uma para outra. Após sair da lente, a luz passa pela janela da sala de projeção e finalmente chega à tela!

13 - Lente de projetor cinematográfico

Mas o processo todo ainda não acabou… Não estamos nos esquecendo de algo? Sim, o som do filme!

Após passar pela lente, a película continua seu caminho até chegar ao leitor de áudio, que fica logo abaixo do projetor. O áudio é interpretado pela leitura das faixas magnéticas gravadas ao lado dos frames na película. O leitor converte as informações em sinais elétricos que são enviados aos amplificadores que, por sua vez, enviam-nos direto às caixas de som espalhadas pela sala do cinema.

Como o leitor de áudio fica alguns centímetros abaixo da lente do projetor, para que a imagem e o som fiquem em perfeita sincronia, o áudio do filme é gravado nas faixas magnéticas de 19 a 20 frames adiantados.

14 - Leitor de áudio do projetor (Acima da bandeja de saída)

Finalmente a película é enrolada novamente na bandeja de saída e, dependendo do projetor, sai de forma que não precisa ser rebobinada, dessa forma, está pronta para exibir o filme na próxima sessão!

Durante muitos anos os projecionistas desenvolveram diversas técnicas inovadoras que permitiram a automação dos projetores de cinema. Uma das mais interessantes e úteis é a Marca Impressa. Trata-se de um pequeno pedaço de metal preso na borda da película do filme em um ou mais locais específicos. Quando a película estiver passando pelo projetor, a marca impressa de metal passa no momento certo por dois contatos elétricos, fechando o circuito e funcionando como um interruptor. A partir daí pode-se programar diversas funções automáticas, tais como apagar as luzes laterais da sala, alterar a lente do projetor, mudar o formato de áudio dos trailers para o filme e até mesmo abrir ou fechar as cortinas que cobrem as laterais da tela de projeção quando esta não é totalmente utilizada.

15 - Projetor de película de 35mm da rede Cinemark

Hoje em dia, apesar de ainda haver alguns cinemas menores que utilizam projetores antigos, a maioria dos cinemas já conta com equipamentos modernos e automatizados que facilitam o trabalho dos projecionistas e mantém a qualidade dos filmes exibidos em todas as sessões, como é o caso dos projetores digitais!

Mas isso é assunto para uma próxima vez!

Por Lucas T. R. Lopes.

Texto e imagem reproduzidos do site: pipocadepimenta.com

O Canto da Projeção









A cabine de projeção do Cinema São Luiz, localizado no terceiro andar do estabelecimento fixado no Edifício Duarte Coelho, é um lugar repleto de equipamentos raros e históricos utilizados para projetar filmes, contando com 3 antigas máquinas que funcionam até hoje. Porém, com a chegada do equipamento digital, no começo dos anos 2010, o cinema decidiu se modernizar e utilizar as máquinas de última geração para exibir os filmes em cartaz, mas sem tirar a clássica essência cinematográfica.

Nesta galeria, você pode conferir algumas fotos dos equipamentos de antigamente, além de um vídeo mostrando a transição da clássica projeção para a nova no Cinema São Luiz, com explicações do projecionista Miguel Tavares, que há 24 anos presta seus serviços ao cinema com muita simpatia e profissionalismo.

Texto e imagens reproduzidos do site: unicap.br



---------------------------------------------------------------------------
A sala de projeção do Cinema São Luiz é uma verdadeira viagem no tempo para
 os amantes da sétima arte. Agora, que tal viajar mais uma vez para o passado 
conferindo a reportagem sobre os antigos cinemas de rua do Recife? 
Clique no link abaixo:

http://www.unicap.br/webjornalismo/ocantodocinema/site/

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Cine Humberto Mauro - 30 anos

Na projeção. Alípio José Ferreira, 78, admirador dos clássicos que viu da cabine.

Publicado originalmente no site O Tempo Magazine, em 11/10/2008.

Cine Humberto Mauro - 30 anos. 

Resistência e memória

Por Marcelo Miranda. 

O Cine Humberto Mauro sempre se caracterizou tanto pela ousadia de suas programações - com mostras e retrospectivas de cinemas vindo dos países mais inusitados, como Rússia, Hungria, Suécia e, nos anos 80, até mesmo da Alemanha Oriental - quanto por formar diversas gerações de cinéfilos. O pesquisador e professor Ataídes Braga está ligado às duas vertentes. Ele freqüenta o Cine Humberto Mauro desde o final dos anos 70, quando tinha 16 anos, e guarda todos os folhetos de programação desde aquela época. O objetivo é publicar o livro "Cachoeiras e Filmes", em processo bastante adiantado. Ataídes pretende registrar todas as mostras que já passaram pela sala em suas três décadas - e mesmo antes. "Já tenho muito material do período pré-inauguração do cinema", conta ele. O título da publicação homenageia o patrono da sala - Humberto Mauro dizia que "cinema é cachoeira". "Era um espaço de formação política, que insistia em exibir filmes e gerar variadas discussões", afirma o pesquisador. "Hoje, ainda mantém a resistência de não se render a filmes comerciais e seguir com debates", avalia.

A PROGRAMADORA. Herdeira de um cargo que já passou por dezenas de nomes - Helvécio Ratton, Rafael Conde, Mônica Cerqueira, José Zuba Jr e Daniel Queiroz, entre outros -, a jornalista Ana Siqueira é a diretora de programação da sala desde janeiro deste ano. "O contexto de um trabalho como este mudou muito. O Cine Humberto Mauro surgiu numa época em que os cinemas de rua estavam no auge, não havia DVD nem internet e os cineclubes funcionavam com toda a força. Atualmente, a existência de uma sala como a nossa tem ainda mais diferencial", diz Ana, que enxerga o cine como "um abrigo" para o que não teria vez em outros lugares e, ainda assim, é relevante de ser exibido. A vida de Ana literalmente é paralela ao Cine Humberto Mauro. Ela nasceu apenas um mês depois da inauguração da sala. Obviamente, desde cedo passou a freqüentá-la. Soa uma bela coincidência, portanto, que Ana esteja grávida - quando o filho (ou filha) tiver a sua idade, o Cine Humberto Mauro vai estar completando 60 anos.

O PROJECIONISTA. Aos 78 anos, Alípio José Ferreira se orgulha de ser o mais longevo projecionista ainda em atividade em Belo Horizonte. Nascido em Conselheiro Lafaiete, Alípio está no ofício há 51 anos. "Comecei ainda como ajudante, mexendo nos rolos de filme", relembra ele. Impressiona a quantidade de cinemas onde trabalhou. Alípio faz questão de tentar seguir a cronologia, mas se perde quando percebe ter deixado algum local para trás. No saldo, entram, por exemplo, os extintos Cine Rosário, Cine Tamoios, Roxy, Guarani, Havaí, Pompéia, Serrador, Astória e Salgado Filho. Ele entrou para o Cine Humberto Mauro em 1987. "O que me faz permanecer na profissão é simplesmente porque eu gosto", resume. De filmes, claro, também é fã. Seus favoritos - vistos da cabine de projeção dezenas de vezes - são todos clássicos: "... E o Vento Levou", "O Morro dos Ventos Uivantes", "O Mágico de Oz" e "Cidadão Kane".

O PORTEIRO. Outro funcionário antigo na casa, curiosamente José Horta de Oliveira, 65, entrou no mesmo ano de Alípio. Nasceu também no interior, em Bom Jesus do Galho, e está na capital há 33 anos. Antes do Cine Humberto Mauro, Horta trabalhava no Cine Nazaré e no Cine Regina - sempre como recepcionista. "É um serviço muito bom, mas que exige um pouco de paciência porque cada pessoa é de um jeito", comenta ele. "Hoje está mais complicado, os jovens são muito desobedientes." A função de José Horta consiste em estar à disposição dos freqüentadores da sala no que ele puder ajudar - "tento não deixar fazer barulho na sala e também controlo o ar-condicionado". Entre um momento de folga e outro, consegue dar uma espiadinha nos filmes em exibição. "Aqui é interessante porque passa filme de arte, né? E de tudo quanto é país." Dos que se lembra, conta gostar muito de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e assume ser fã dos franceses Gérard Depardieu (ator) e François Truffaut (diretor).

A MOSTRA. Nas celebrações dos 30 anos do Cine Humberto Mauro, a sala exibe, de 15 de outubro (próxima quarta-feira) ao dia 26, 12 filmes escolhidos por 12 dos antigos programadores do lugar. "Foi uma idéia que a gente teve de ir atrás dessas pessoas e mostrar como elas fazem parte dessa história que está sendo formada", explica Ana Siqueira. Cada ex-curador teve liberdade de escolher um título a ser exibido na mostra (veja quadro). "Com as escolhas particulares de todos eles, conseguimos formar um retrato bastante diversificado e condizente ao perfil do Cine Humberto Mauro!, conclui.

Texto e imagem reproduzidos do site: otempo.com.br

O Projecionista Almeida


Há 34 anos projetista garante boa imagem nos cinemas

Apenas um profissional do meio cinematográfico sente de imediato a reação do público ao seu trabalho: o projecionista. Imagem fora de foco, legendas abaixo da tela ou problemas no som provocam assobios e vaias imediatas. José Luis de Almeida certamente não sabe o que é isso. Considerado um dos melhores do ramo, ele se dá ao luxo de se dedicar apenas a festivais de cinema - é responsável pela projeção de alguns dos principais no Brasil. Profissional há 34 anos, Almeida conta que se interessou pela projeção aos 9 anos. "Meu pai tinha um pequeno restaurante ao lado do antigo Cine Cingapura, na Vila Maria, e os projecionistas, clientes assíduos, deixavam-me entrar e assistir da cabine", lembra ele. "Com 13 anos, já me tornei ajudante de projeção e na prática era eu quem fazia tudo." A semelhança com o menino Toto, do filme Cinema Paradiso, também foi notada por Almeida. "Quando vi o filme pela primeira vez, emocionei-me duplamente", conta. Almeida trata de desmistificar a imagem que todo mundo faz dos projecionistas, ou seja, de que assistem a todos os filmes. "Na verdade, a gente não consegue ver boa parte das películas, pois estamos ajustando o equipamento, trocando rolos e coisas assim", lamenta ele, que adora cinema. Engenheiro eletrônico, em pouco tempo ele foi trabalhar na Kodak. Tornou-se especialista em imagens, projeção e projetores. Chegou a criar um aparelho que melhorava a intensidade de luz dos projetores de 16 milímetros e é também um especialista em desenhar salas de projeção. O projeto do novo Cinesesc é dele. "É um dos melhores conjuntos de som e imagem do Brasil", garante. O projecionista conta que já exibiu filmes em praças com 10 ou 20 mil pessoas. Sua maior emoção foi em Juazeiro, na projeção de Milagre em Juazeiro, de Volney de Oliveira, que tem várias cenas com José Dumont interpretando Padre Cícero. "Era época de romaria e havia cerca de 100 mil pessoas na praça mas as pessoas estavam tão fascinadas, tão concentradas, que dava para ouvir o barulho dos grilos no mato", lembra. Nessa ocasião, os mais de 30 anos de experiência em projeções não o impediram de tremer nas bases. A distância entre o projetor e a tela era de 70 metros, a maior que ele já havia feito e o som vinha de um caminhão desses que é usado em trios elétricos. Almeida sentiu a responsabilidade. "Quando vi aquele mar de gente eu gelei, pois imaginei o que fariam comigo se a luz falhasse ou o projetor não funcionasse." Mas o fim foi feliz, como nos filmes de Hollywood.

Texto reproduzidos do site: cultura.estadao.com.br

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Paraná dá adeus ao pioneiro das salas de cinema

 Zito Alves acompanhou as transformações nas salas de cinema da capital.

Harry Luhm teimou e o amigo Zito modificou o projetor 35mm
que guarda na oficina nos fundos de sua casa.

Publicado originalmente no site da Folha de Londrina, em 29/08/2008

Paraná dá adeus ao pioneiro das salas de cinema

Na semana em que morreu o projecionista Zito Alves, a FOLHA conversou com profissionais da área na cidade. Uma profissão em extinção?

Deu no obituário dos jornais da última quarta-feira, dia 27. ‘‘Zito Alves Cavalcanti, 83 anos, comerciante.’’ Citado como memória viva da exibição cinematográfica no Estado, no Dicionário de Cinema do Paraná, de Francisco Alves dos Santos, Zito Alves morreu poucos dias antes de completar 84 anos.

  De sua memória, ficam os textos que escreveu em jornais, o livro ‘‘No giro da manivela’’, de 1996, em que registra histórias ao modo de crônica, com especial atenção às décadas de 40, 50 e 60, de salas de cinema no Paraná – muitas das quais foi o responsável pela instalação, como as da Cinemateca, Luz, Groff e Ritz.

  Deixou, também, alguns depoimentos registrados em vídeo – um deles gravado para o projeto ‘‘Memória Viva do Paraná’’, do extinto Bamerindus. Naturalmente, restam, ainda, as lembranças das pessoas de seu convívio.

  ‘‘Eu ligava para ele todo dia 31 de agosto para dar os parabéns’’, lembra, saudoso, o amigo Harry Luhm, 78. No aniversário de 70 anos de Zito, há 14 anos, Luhm reuniu a turma no hoje extinto Cine Plaza, na Praça Osório, contando para o amigo que assistiriam a ‘‘Pandemônio’’ (1941), uma das comédias favoritas do aniversariante. Chegando lá, a projeção começou com uma surpresa: uma frase em homenagem a Zito, que respondeu emocionado ao presente.

  Em 1973, Zito abriu a Paracine, empresa especializada na manutenção de salas de cinema. Em 1982, Francisco Amancio da Silva começava a sua vida na Sétima Arte, aos 19 anos, como porteiro do Cine Avenida. Abandonando a função de lanterninha pouco depois, passaria a ser o projecionista da sala. ‘‘Fui privilegiado em pegar a época do carvão’’, lembra Amancio, comentando a tecnologia das máquinas que projetavam com a luz emitida pelo mineral em chamas.

  Sobre o contato com Zito, Amancio diz que foi graças a ele que aprendeu muitas coisas sobre cinema. Nas salas de projeção da Fundação Cultural, onde trabalha há 19 anos, conversaram várias vezes. ‘‘Lembro que ele chegava xingando os projecionistas por serem preguiçosos. Muitas vezes o chamavam apenas para apertar um parafuso’’, relatou.

‘Isso não vai funcionar,

Mr. Luhm’

Harry Luhm é um dentista aposentado cheio de idéias. Um dia chegou para Zito Alves e pediu para que fizesse algumas adaptações no projetor 35mm que tinha em casa. Alves não acreditava que as modificações surtiriam efeito, mas acabou topando o desafio do amigo. ‘‘Quando ele viu que, realmente, funcionava, me parabenizou. Foi muito gratificante, pois eu escutava aquilo de alguém que, realmente, entendia de cinema’’, lembra.

  Da época em que era menino, Luhm recorda das sessões em que Zito estava na cabine de projeção. Se ele era eficiente no ofício? ‘‘É um tipo de trabalho que quando não se nota nada de errado, é porque está bom’’, diverte-se.

  Zito começou como assistente de operador do Cine Broadway, em julho de 1941, aos 16 anos, tal como registra o livro ‘‘24 Quadros - Uma viagem pela Cinelândia Curitibana’’, das jornalistas Luciana Cristo e Nívea Miyakawa.

  Depois, foi chefe de cabine, gerente do Cine Lido, por 19 anos, e, ainda, dono de três salas diferentes. Uma época em que os cinemas de rua da cidade eram diversos e em que era comum que os projecionistas tivessem seus assistentes.

  Os tempos são outros, mas a história continua. Dirceu, filho de Zito, segue à frente da Paracine, responsável pela manutenção de boa parte das salas de cinema da Capital.

Rafael Urban (Equipe da Folha).

Texto e imagens reproduzidos do site: folhadelondrina.com.br

Morre Cid Linhares, projecionista dos cinemas de rua de Curitiba...


Morre Cid Linhares, projecionista dos cinemas de rua de Curitiba nos últimos 50 anos

Projecionista era funcionário da Fundação Cultural desde 1987 e era o profissional mais antigo da cidade na arte de projetar filmes.

Para o projecionista de cinema Cid Linhares, o segredo para bem exercer seu ofício era, em primeiro lugar, gostar de cinema. Depois, segundo ele, um bom projecionista precisava ter a consciência de que “acabaram os sábados, domingos, feriados, dias santos e festas”.

 “Tem um aniversário marcado você não pode ir. Um casamento você não pode ir. Um operador de cinema não pode falhar em seu compromisso que é exibir o filme no horário certo”, disse Linhares para uma plateia de jovens operadores há cinco anos na Cinemateca de Curitiba.

Cid Linhares foi enterrado nesta quarta-feira (3). após dedicar 50 dos seus 64 anos de vida a profissão de projecionista de cinema. Em sua carreira, atuou em quase todos os cinemas de rua da cidade. Era servidor da Fundação Cultural de Curitiba e projecionista da Cinemateca desde o dia 5 de outubro de 1987.

Numa entrevista à Gazeta do Povo publicada em 2012, Linhares se orgulhava de nunca ter danificado um só rolo de filme. “Os filmes eram muito fracos e pegavam fogo”. Segundo ele, o ritual da projeção era simples. “Cada filme vem em cerca de cinco rolos de película fotográfica. É o operador que monta e revisa todas as produções antes de colocar no projetor e passar para o público”.

Por suas mãos passaram as projeções de clássicos do cinema, como Ben-Hur, e sucessos de bilheteria, como Ghost. O primeiro é um de seus filmes preferidos, junto com outros épicos, como Os Dez Mandamentos e O Rei dos Reis. Já o blockbuster... “Foi um saco. Ghost ficou um ano e meio passando. Eu não aguentava mais”.

Na época, ele também lamentava a lei a recém promulgada lei antifumo que o privava de um dos companheiros de solidão da sala de projeções. “Quem trabalha aqui é um solitário. Os melhores amigos do projecionista eram o café e o cigarro”.

Como projecionista, Linhares rodou o Brasil e testemunhou a transformação cultural no hábito de frequentar salas de cinema. “A coisa mais gostosa do meu tempo de cinema era ver a pessoa ter reação, sentir o cheiro de cinema. Hoje não existe mais. Está se perdendo a essência”, diz...

Texto e imagem reproduzidos do site: gazetadopovo.com.br

domingo, 18 de junho de 2017

Projecionistas revelam paixão pelo cinema...


Publicado originalmente no site UAI, em 23/12/2011.

Projecionistas revelam paixão pelo cinema e apontam seus filmes preferidos.

Profissionais são responsáveis pela qualidade do som e da imagem de quem frequenta as salas de exibição de BH.

Por Thaís Pacheco.

Marcelo Amâncio tem 54 anos, cinco filhos e está casado com a segunda mulher. Nascido e criado em Belo Horizonte, estudou até o 6º ano do ensino fundamental e tem um dom para eletrônica – conserta aparelhos do gênero para amigos e clientes. Também tem um sistema de som, com caixas e picape, para aluguel ou para que ele mesmo toque em festas.

Valdir Guimarães, de 62, é casado, tem dois filhos e um hobby: cuidar das plantas que ficam na sua casa, um de seus lugares preferidos. Chegou a BH vindo do município de Rio Vermelho, região do Serro, para tentar uma vida melhor na capital como vendedor ambulante.

Edson Teixeira tem 39 e nasceu em Ferros, Minas Gerais. Solteiro, quando não está no trabalho fica em sua casa no Bairro Riacho, em Contagem, e gosta de ver TV e jogos de futebol.

Essas vidas completamente distintas se unem por uma paixão em comum: o trabalho de projecionista de cinema. O mais novato dos três é Edson, na profissão há 22 anos. Marcelo Amâncio está no ramo há 36 e Valdir há 34.

O motivo que os faz ficar tanto tempo no ofício é o mesmo, o prazer do trabalho no cinema em função solitária, silenciosa e que requer responsabilidade com a diversão alheia. Ofício, inclusive, pouco lembrado. “Eles só se lembram que existimos quando nós menos queremos”, brinca Valdir, com o fato de o público só olhar para a cabine de projeção quando há problemas na tela.

Mas os motivos que os fizeram chegar até essa profissão são distintos e curiosos. Marcelo é um apaixonado pela sétima arte. “Ali na Rua Aarão Reis tinha o Edifício Central, com as companhias de filmes. Lá ficavam Metro, Fox e outras, que faziam sessão para revisar filmes”, lembra o técnico, sobre a necessidade de revisar filmes para cortar e consertar trechos danificados. “Ficava catando aqueles pedacinhos e levava para casa para fazer slide na parede, com lâmpada e lente de aumento. Até conhecer o Joaquim, um amigo do bairro que me levou para aprender a fazer projeção no Cine Acaiaca”, conta Marcelo, que entrou no cinema aos 18 anos e nunca mais saiu.

Edson, de geração mais nova, começou a carreira numa sala de shopping, o Del Rey. Quem o ensinou foi Zé Vieira, outro projecionista da velha guarda, até hoje na ativa, na rede Cineart do Boulevard Shopping. Ele não se lembra ao certo de qual foi o primeiro filme que operou a projeção, mas um dos mais marcantes do início da carreira e que ele gosta até hoje foi Meu primeiro amor, (de 1991, com Macaulay Culkin). Antes de iniciar a carreira, aos 22 anos, tinha sido balconista. Quando conseguiu uma vaga de porteiro no cinema, pediu para cobrir férias dos projecionistas. Assim como Marcelo, desde então nunca cogitou outra profissão.

Valdir chegou em Belo Horizonte para ser vendedor ambulante. Aprendeu o ofício de alfaiate e passou a confeccionar calças. Um dia, um amigo lhe disse: “Venha ser projecionista à noite. Você ganha mais dinheiro e não precisa deixar de ser alfaiate”. Lá foi ele para seu primeiro emprego de carteira assinada, aos 28 anos, no Cine Santa Efigênia, sem imaginar que ficaria na empresa pelo resto de sua vida. “A Cinema e Teatro Minas Gerais fechou em 31 de janeiro e eles fizeram o acerto com todo mundo. No dia 1º de fevereiro, a Cineart, que comprou a empresa, me contratou. Faz 34 anos que estou com esse pessoal”, conta ele, que, assim como Edson, sempre trabalhou em dois cinemas. Atualmente, ao lado de Marcelo e Edson, integra o quadro do Usiminas Belas Artes, além do Shopping Cidade.

NOITE E DIA Casos para contar não faltam para Valdir. “Se tivesse anotado todos os filmes que já passei na vida, hoje dava uma história. Mas não o fiz porque jamais pensei que ia ficar tanto tempo nesse negócio”, diz. Um dos primeiros filmes que lembra de tê-lo marcado ao projetar foi Dona flor e seus dois maridos.

Cada um deles tem olhares diferentes sobre o cinema. Edson não quer nem saber de filmes quando sai do trabalho. “Sem chance de assistir em casa. Pesadelo”, brinca. Marcelo é um árduo defensor do 35 milímetros: “Podem melhorar o áudio, mas não há nada na imagem que supere o 35. Você nunca vai ver, por exemplo, uma legenda branca se confundir com uma camisa branca num 35 milímetros”. A Valdir coube a responsabilidade de lembrar o lado ruim da profissão: “Perdi aniversários de filhos, formatura e casamentos, porque o horário é complicado”.

De fato, projecionista não tem Natal, ano-novo, feriado, férias, tampouco horário. Edson e Valdir trabalham das 12h às 18h no Belas Artes e às 18h30 vão para os shoppings, onde ficam até cerca de 23h40. Marcelo é folguista no Belas.

“Conheço projecionista que não conseguiu ir a velório de parente por não encontrar um folguista”, conta Edilson Fernandes, de 40 anos. Frequentador de cinema e cabines de projeção desde os 15 anos, começou a carreira no Cine São Francisco, em Sabará, onde nasceu e mora até hoje. Trabalhou na área por mais de 20 anos, durante a noite, e manteve a profissão de mecânico de dia.

Entre vários cinemas e filmes, um em especial o marcou. “Nunca vou me esquecer de quando entrei no Palladium e passei Voltar a morrer. Uma sala de 70 lugares é bom, mas sair de lá para trabalhar numa sala de mil lugares, cartão-postal de BH, rodando cinco sessões por dia, todas lotadas, é um marco”, lembra.

Há dois anos, Sebastião tomou a difícil decisão de dar um tempo no ofício em prol de um pouco mais de tempo livre e vida social, mas será sempre grato à sétima arte. “Posso dizer que conheço um pouquinho do mundo inteiro. É o que vou sentir mais falta do cinema, desse intercâmbio. Rodava filmes que vinham do Iraque, Rússia, Índia, lugares aonde nunca irei. É uma janelinha para o mundo, que mostra coisas lindas, lugares, situações, pensamentos e coisas que a gente nem imaginava que existia. Ajudou-me emocionalmente e a compreender o mundo. Sou uma pessoa mais completa por conta do cinema”, conclui.

Texto reproduzido do site: uai.com.br